Rider técnico é o documento em que a atração descreve canais, mapa de palco, monitoração, backline, luz e energia, e serve de base para contratar o som e a luz do evento.
O rider técnico é o documento que separa um orçamento de som e luz feito por estimativa de um projeto feito sobre dados. Quem produz eventos em Curitiba e na região metropolitana recebe esse documento de bandas, artistas e companhias, mas nem sempre sabe ler cada seção, distinguir exigência de preferência ou decidir o que fazer quando a atração simplesmente não tem um. Palestrantes, DJs e bandas em início de carreira raramente chegam com o rider pronto, e a lacuna acaba nas mãos da produção. O texto a seguir explica o que o documento contém, quem escreve e quem lê, como ele vira contratação de infraestrutura técnica e como montar uma versão mínima a partir de poucas perguntas.
O que é rider técnico?

Rider técnico é o documento em que uma atração, seja banda, artista, companhia ou palestrante, descreve o que precisa encontrar montado para se apresentar: quantos canais de áudio usa, que microfone vai em cada fonte, quantas vias de retorno o palco exige, onde cada integrante fica, qual iluminação a apresentação pede e quanta energia o conjunto consome. Ele funciona como anexo técnico do contrato da atração e como ponto de partida do projeto de som e luz.
O rider reúne seis blocos:
- A input list, que é a lista de canais da mesa de som.
- O mapa de palco, que mostra a posição de músicos, monitores e tomadas.
- A monitoração, com o número e o tipo de vias de retorno.
- O backline, que reúne instrumentos e amplificadores de palco.
- O rider de luz, quando a apresentação tem desenho de iluminação próprio.
- A energia e, em documento à parte, a hospitalidade.
O documento virou padrão porque o mercado é grande demais para depender de combinação verbal. Segundo o III Dimensionamento do Setor de Eventos no Brasil 2024/2025, de Sebrae e ABEOC, o país realizou 10,1 milhões de eventos em 2024, com média de 171 participantes por evento.
Quem escreve o rider técnico e quem lê esse documento?
O rider técnico é escrito pela atração, em geral pelo técnico de som ou pelo produtor que a acompanha, e é lido por três partes, cada uma com uma pergunta diferente: a produção do evento, o fornecedor de infraestrutura técnica e o espaço.
Quem escreve o rider da atração?
O autor costuma ser o técnico que mixa a banda ou o artista, porque é ele quem sabe quantos canais a apresentação usa e como o retorno precisa funcionar. Em companhias de teatro e dança, o rider de luz fica com o iluminador. Em atrações menores, o próprio músico escreve a partir de um modelo, e a qualidade varia de uma input list detalhada a uma página com “som de qualidade” como única exigência.
O que cada parte procura no rider?
- A produção lê para saber o que assume no contrato e o que repassa ao espaço e aos fornecedores.
- O fornecedor de som e luz lê para dimensionar mesa, microfones, monitores, refletores, equipe e passagem de som.
- O espaço lê para conferir se palco, carga suspensa e energia comportam o pedido.
O que é o rider da casa?
Rider da casa é o documento inverso, em que o espaço informa o que já tem. Teatros publicam essa ficha com palco, varas de cenário, luz e camarins, como o rider técnico da sala principal do Teatro Castro Alves, publicado pelo governo da Bahia. A ficha também diz o que falta: o rider do Teatro Universitário da Ufes avisa que a equipe da casa não opera as mesas de luz e som. A visita técnica em local de evento confirma no espaço físico a comparação entre os dois documentos.
O que o rider técnico de som precisa conter?
O rider de som precisa conter quatro peças que se completam: input list, mapa de palco, monitoração e backline. Juntas, elas definem o tamanho da mesa, a quantidade de microfones, o número de vias de retorno e o tempo de montagem.
O que é input list?
Input list é a tabela que numera cada canal da mesa de som e informa a fonte e o microfone ou a caixa direta. Canal é cada entrada de sinal, e bumbo, baixo e voz ocupam canais distintos. Quando a lista indica um modelo, como o Shure SM58, microfone dinâmico cardioide voltado à voz ao vivo, a equipe sabe exatamente o que posicionar. A soma de canais define a mesa e o volume de cabos do serviço de sonorização.
O que o mapa de palco mostra?

Mapa de palco, ou stage plot, é o desenho visto de cima com a posição de integrantes, monitores, amplificadores e tomadas. Um exemplo público é o rider com mapa de palco publicado no Mapa Cultural do Ceará, com 13 canais e seis monitores de chão.
Como a monitoração e o backline aparecem no rider?
Monitoração é o som que volta para o palco, para que cada músico se ouça, e o rider indica quantas vias independentes existem e se são monitores de chão ou in-ear, fones com transmissão sem fio. Backline é o conjunto de instrumentos e amplificadores de palco, e o rider precisa dizer se a atração traz esse material ou se ele será providenciado, porque a resposta muda orçamento e logística.
Quais itens de luz e energia entram no rider técnico?
Além do som, o rider técnico pode trazer o rider de luz e a necessidade de energia, que afetam a infraestrutura técnica. A hospitalidade, ou rider de camarim, costuma vir em documento separado e fica com a produção, não com o fornecedor de som e luz.
O que é rider de luz?
Rider de luz é a parte do documento que descreve o desenho de iluminação: tipo e quantidade de refletores, posição em varas ou treliças, cores e mesa de luz. O controle costuma usar DMX, protocolo padronizado no ANSI E1.11, que permite a uma mesa de um fabricante comandar refletores de outro. Quando o rider de luz chega, o projeto de iluminação para eventos se ajusta a ele; quando não chega, a luz parte do roteiro.
Como o rider informa a necessidade de energia?
O rider informa a energia em dois níveis, os pontos de tomada marcados no mapa e o consumo do equipamento que a atração traz. Esse dado entra no levantamento de carga descrito no conteúdo sobre quanto de energia um evento consome. As diretrizes do Confea sobre eventos temporários lembram que equipamentos de som e iluminação não podem ser ligados em tomadas comuns e exigem instalação dedicada.
Como a produção do evento usa o rider técnico para contratar a infraestrutura?

A produção usa o rider técnico como especificação de compra: o documento segue para o fornecedor junto com data, local e público estimado, e a proposta técnica responde a cada item.
| Item do rider | Decisão de infraestrutura |
|---|---|
| Número de canais | Porte da mesa e do multicabo |
| Vias de retorno | Monitores ou sistemas in-ear |
| Mapa de palco | Área mínima de palco |
| Rider de luz | Refletores, treliças e mesa |
| Consumo do backline | Circuitos dedicados no palco |
| Horário de passagem de som | Janela de montagem e equipe |
Como o rider vira proposta técnica?
Na leitura, a equipe separa exigência de preferência. Exigência é o que impede a apresentação se faltar, como canais e vias de retorno. Preferência é marca e modelo, que costumam aceitar equivalente combinado por escrito com o técnico da atração. Essa conversa transforma o rider em projeto, etapa coberta pelo serviço de projetos técnicos.
O que é rider mínimo?
Rider mínimo é a versão reduzida que algumas atrações enviam junto com o completo, indicando o que aceitam quando o palco ou o orçamento não comportam a configuração ideal.
Como consolidar riders de várias atrações?
Em festivais, formaturas com banda e convenções com show, a consolidação define uma mesa com canais para a maior atração, backline compartilhado quando as bandas aceitam e a ordem de troca de palco. Na rotina de montagem da Phocus, em mais de três décadas de eventos em Curitiba e no Paraná, os ajustes de última hora costumam nascer de rider recebido depois do fechamento do projeto, e não de falta de equipamento.
Como montar um rider técnico quando a atração não tem um?

Quando a atração não tem rider, a produção monta uma versão mínima a partir de quatro perguntas: quantas pessoas falam ou tocam, que fontes de som existem, onde cada uma fica e o que o público precisa ver.
| Atração | O que perguntar | O que o rider mínimo registra |
|---|---|---|
| Palestrante | Tipo de microfone, slides com áudio | Microfone, retorno, notebook |
| DJ | Equipamento próprio ou do evento | Mesa de DJ, retorno, tomadas |
| Banda iniciante | Formação e quem canta | Input list e mapa simples |
Como montar o rider de um palestrante?
O rider de um palestrante registra o tipo de microfone, de mão, lapela ou headset, se haverá vídeo com áudio saindo do notebook e se há perguntas da plateia. Headset é o microfone preso à cabeça, que deixa as mãos livres e mantém constante a distância da boca.
Como montar o rider de um DJ?
O rider de um DJ responde se ele traz controladora própria ou usa o equipamento do evento, quantas saídas de áudio ela tem, se precisa de monitor de cabine, a caixa de retorno posicionada ao lado da mesa, e quantas tomadas exige.
Como montar o rider de uma banda iniciante?
Para uma banda sem rider, basta listar cada integrante, o instrumento que toca e se canta, e desenhar a posição de cada um em uma folha. Da lista sai a input list, e do desenho sai o mapa de palco.
Quais erros no rider técnico mais atrasam a montagem?
Os erros que mais atrasam a montagem são rider desatualizado, rider enviado tarde e exigência que o espaço não comporta. Os três nascem do mesmo ponto: o documento circula sem que alguém confira se descreve a apresentação que vai acontecer.
Por que o rider desatualizado é tão comum?
Formações mudam e o documento fica para trás. Um segundo vocal, um tecladista novo ou a troca de monitor de chão por in-ear acrescentam canais e vias que não estão no papel, e a diferença só aparece na passagem de som, quando a margem de correção é curta.
Como conferir o rider antes de fechar o projeto?
- Confirmar com o técnico da atração a data da última revisão do documento.
- Conferir se o mapa de palco cabe na área disponível no espaço.
- Checar se a carga suspensa e a energia pedidas existem no local.
- Registrar por escrito toda substituição de modelo combinada.
Perguntas frequentes sobre rider técnico
Qual a diferença entre rider técnico e rider de camarim?
Rider técnico descreve o que a atração precisa no palco, e rider de camarim descreve o que ela precisa fora dele. O primeiro trata de som, luz, monitoração, backline, energia e mapa de palco, e é lido pelo fornecedor de infraestrutura técnica. O segundo, também chamado de rider de hospitalidade, trata do conforto e da logística da equipe da atração, e é lido pela produção do evento.
Itens típicos do rider de camarim:
- Quantidade de camarins, com espelho, tomadas e cadeiras.
- Alimentação, bebidas e água para a equipe e para o palco.
- Transporte, hospedagem e credenciais de acesso.
Separar os dois documentos garante que cada fornecedor receba só o que lhe diz respeito, e em shows ambos costumam ser anexos do contrato da atração. Em eventos corporativos com palestrante, o rider de camarim se resume a uma sala de apoio e raramente é escrito. A divisão entre o que fica com a produção e o que fica com a equipe técnica aparece na página de produção técnica completa.
O que é input list no rider técnico?
Input list é a tabela que numera cada canal da mesa de som e informa, para cada um, a fonte, o microfone ou a caixa direta e, quando necessário, o tipo de pedestal. Caixa direta, ou DI, é o equipamento que liga instrumentos eletrônicos, como teclado e baixo, à mesa sem uso de microfone.
Uma input list bem feita costuma ter quatro colunas:
- Número do canal, na ordem em que será ligado na mesa.
- Fonte, como bumbo, caixa, guitarra ou voz principal.
- Microfone ou DI indicado para aquela fonte.
- Pedestal, curto, longo ou com girafa.
A lista é a peça do rider que mais pesa no dimensionamento, porque a quantidade de canais define o porte da mesa, o número de vias do multicabo e o tempo de passagem de som. Sem input list, o fornecedor dimensiona por estimativa e a diferença aparece na montagem. O papel desse documento no cálculo do sistema é detalhado no conteúdo sobre como dimensionar som para eventos.
Qual a diferença entre rider técnico e mapa de palco?
O mapa de palco é uma das peças do rider técnico, e não um documento concorrente. O rider é o conjunto completo de exigências da atração, com input list, monitoração, backline, luz e energia. O mapa de palco, também chamado de stage plot, é o desenho visto de cima que mostra onde cada item fica.
O mapa de palco costuma indicar:
- A posição de cada integrante e de cada instrumento.
- O lugar de cada monitor de chão e a via que ele recebe.
- Os pontos de energia e de entrada de sinal no palco.
As duas peças se leem juntas: a input list diz quantos canais existem, e o mapa diz onde cada um nasce, o que permite à equipe passar o cabeamento antes da chegada da atração. Em palcos pequenos, o mapa também mostra se a formação cabe na área disponível. O uso dos dois documentos em shows aparece no conteúdo sobre som e luz para show com banda ao vivo em Curitiba.
É possível substituir marcas e modelos exigidos no rider técnico?
Sim, desde que a substituição seja equivalente e combinada por escrito com o técnico da atração. Muitos riders já trazem a expressão “ou similar” ao lado do modelo indicado.
A equivalência é avaliada por função, e não por marca:
- No microfone, contam o tipo de cápsula e o padrão polar, como no caso do Shure SM58, dinâmico e cardioide.
- No sistema de som, contam cobertura e pressão sonora adequadas ao espaço.
- Na mesa, contam número de canais, vias auxiliares e recursos de processamento.
O ponto sensível é a comunicação. Troca feita sem aviso costuma ser descoberta na passagem de som e gera desgaste com a atração, mesmo quando o equipamento substituto atende. Por isso a confirmação por e-mail, com a lista de modelos propostos, deve ser anexada ao contrato. Itens de assinatura sonora, como o microfone do vocalista principal, são os que menos aceitam troca. A forma de conferir essas equivalências no orçamento está no conteúdo sobre o que verificar na proposta de som e luz.
Quem paga pelos equipamentos do rider técnico?
Na maior parte dos contratos de apresentação, quem contrata a atração assume o fornecimento do que o rider pede, salvo o que a própria atração declara trazer. Essa divisão precisa estar escrita no contrato, porque o rider é anexo dele e define o que cada parte entrega.
Na prática, os itens se dividem em três grupos:
- O que a atração traz, como instrumentos próprios, controladora de DJ ou mesa de som do técnico.
- O que a produção contrata com o fornecedor de infraestrutura, como PA, monitores, microfones e luz.
- O que o espaço já oferece, descrito no rider da casa.
O custo depende de quanto do rider coincide com o que o espaço e o fornecedor já têm, e um rider que pede backline completo acrescenta locação de instrumentos ao orçamento. A diferença entre contratar só o equipamento e contratar a operação completa é tratada no conteúdo sobre locação de equipamentos ou produção técnica completa.
O que acontece se o rider técnico não for cumprido?
As consequências dependem do contrato da atração e da gravidade do item que faltou. Como o rider costuma ser anexo do contrato, o descumprimento pode ser tratado como inadimplemento.
Os efeitos mais comuns vão em três níveis:
- Ajuste no palco, quando a falta é de item secundário e a equipe técnica encontra alternativa na passagem de som.
- Redução da apresentação, quando faltam canais ou vias de retorno e parte da formação deixa de ser atendida.
- Cancelamento ou renegociação, quando o item faltante impede a apresentação.
A maior parte desses cenários é evitada com antecedência. O rider deve ser recebido antes do fechamento do projeto técnico, as substituições devem ser aprovadas por escrito e qualquer limitação do espaço deve ser informada à atração antes da data. Rider recebido na véspera é uma origem comum de descumprimento involuntário, porque não sobra tempo para locar o que falta. A ordem em que essas decisões precisam ser tomadas aparece no conteúdo sobre quando contratar som e luz para um evento.
Como transformar o rider técnico em proposta de som e luz
O rider técnico só cumpre seu papel quando chega antes do fechamento do projeto e é lido junto com o rider da casa, com o mapa de palco e com a energia disponível no local. Quando a atração não tem documento, uma versão mínima com formação, fontes de som e posição no palco já resolve a maior parte do dimensionamento. Para receber a proposta técnica, envie o rider ou essas informações, com data, cidade, tipo de evento e público estimado, pela página de contato.